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Assespro-BA vê energia e agro como novas fronteiras de negócios

Setor de TI aposta em vocações baianas para crescer e atrair novos investimentos

FÁBIO BITTENCOURT – Jornal A TARDE

O mercado de tecnologia da informação atravessa mais uma grande transformação, desta vez impulsionada pela inteligência artificial, enquanto a Bahia tenta ampliar sua participação em um setor que movimenta negócios cada vez mais estratégicos para a economia.

Para o presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação Regional Bahia (Assespro-BA), Renato Carneiro, o estado ainda não está entre os principais polos nacionais de TI, mas reúne condições para avançar a partir de duas vocações: as energias renováveis e o agronegócio.

A discussão ganhou destaque, em Salvador, durante a programação que marcou os 50 anos da Confederação Assespro e reuniu empresários e lideranças do setor para uma série de debates, além de uma reunião do Conselho de Administração da entidade. A agenda teve como um dos eixos a relação entre tecnologia, inovação e energias renováveis.

“A Bahia ainda não está no primeiro time dos polos de tecnologia do país, temos outros estados à nossa frente há décadas. Mas a gente tem trunfos que poucos estados têm”, afirma Carneiro.

Um deles está justamente em um dos setores nos quais o estado já ocupa posição de liderança. A Bahia responde por cerca de 37% da geração eólica nacional e reúne investimentos estimados em R$ 77 bilhões no segmento, segundo dados do governo estadual. São 381 usinas eólicas em operação e 11,8 gigawatts (GW) de potência outorgada.

Censo da Assespro-BA mostra maioria de pequenas e médias empresas tendo software como principal área de atuação

Para o presidente da Assespro-BA, a dimensão desse mercado abre espaço para que empresas locais desenvolvam soluções voltadas à operação e ao monitoramento das usinas, análise de dados, previsão de geração, manutenção inteligente e eficiência energética.

“Transição energética é, no fundo, uma revolução tecnológica. Não existe usina moderna sem software: monitoramento, previsão de geração, manutenção inteligente. E a Bahia é o laboratório perfeito”, afirma.

Na avaliação de Carneiro, a expansão da geração de energia limpa pode produzir ainda um efeito indireto sobre o próprio setor de tecnologia. A oferta de energia renovável e competitiva tende a aumentar a atratividade do estado para empreendimentos intensivos em energia, como data centers e indústrias de maior valor agregado. “O software baiano pode ser o que puxará a próxima onda de investimento para o estado”, diz.

Agro digital

Outra frente apontada pelo presidente da Assespro-BA é o agronegócio. No Oeste baiano, tecnologias como agricultura de precisão, sensores, drones e sistemas de gestão de dados já fazem parte da modernização da atividade agrícola.

O desafio, segundo Carneiro, é fazer com que uma parcela maior dessa demanda seja atendida por empresas sediadas no próprio estado.

“O mercado existe, é enorme, e está comprando tecnologia — só que de outros estados. É exatamente aí que a Bahia precisa entrar”, afirma.

Para ele, o desenvolvimento de fornecedores locais de tecnologia para o agronegócio pode aproximar dois segmentos de grande relevância econômica no estado. A estratégia também ajudaria a descentralizar o mercado de TI, ainda muito concentrado em Salvador.

“Sediar aqui a comemoração e o Conselho Nacional é uma vitrine real para mostrar esse potencial para o Brasil. Os desafios para ganharmos mais relevância no mercado nacional de TI seguem sendo a falta de capital para startup, ligação entre universidade e mercado, e levar inovação para além de Salvador”, afirma.

A trajetória de cinco décadas da Assespro também acompanha as principais mudanças tecnológicas que alteraram o funcionamento das empresas. Carneiro divide esse processo em quatro grandes momentos: o período em que o Brasil dependia da importação de software, a popularização dos microcomputadores, a expansão da internet e, posteriormente, a migração para a computação em nuvem.

A IA representa nova ruptura. “Em 50 anos o mercado mudou bastante. Se eu tiver que apontar as que mais bateram nas empresas: internet, nuvem e, hoje, a IA. Cada uma delas obrigou o setor a se reinventar”, afirma.

Legenda da foto: Celebração dos 50 anos da Assespro reuniu empresários e lideranças do segmento em debates em Salvador.