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Preservar a autonomia do Estado passa pela adoção de soluções confiáveis, sem abrir mão do comando sobre políticas, processos e informações sensíveis
Faz 11 anos que atuo na área de cibersegurança e, ao longo desse tempo, acompanhei diversas mudanças no mercado. Entre elas, a necessidade de instituições públicas se adaptarem a um cenário de ameaças digitais cada vez mais frequentes e sofisticadas. O aumento dos ataques direcionados ao poder público, em diversas esferas, é motivo de preocupação, já que a proteção de grande parte das nossas informações enquanto cidadãos está sob seu tratamento. Isso explica por que o conceito de soberania digital ocupa, hoje, um espaço relevante nas discussões sobre segurança nacional.
Quanto mais amplo e qualificado for esse debate, maior será a capacidade do Brasil de seguir construindo políticas consistentes para proteger seus ativos digitais e as infraestruturas críticas. Acredito que falar desse tema também gera outros benefícios, como incentivos a investimentos em pesquisas que impulsionam a inovação e favorecem a formação de profissionais especializados. Tudo isso contribui para elevar o nível de maturidade cibernética brasileira, além de motivar instituições públicas a adotar padrões cada vez mais robustos de segurança, considerando as constantes tentativas de ataques hackers.
A atenção que os cibercriminosos dão ao setor público do Brasil não é uma novidade. Isso acontece porque os órgãos que sustentam o funcionamento do Estado tratam grandes volumes de informações sensíveis e são responsáveis por áreas essenciais como saúde, educação, arrecadação tributária, previdência social, defesa nacional e outras. Um incidente nesse ambiente pode comprometer serviços ou até mesmo interferir na continuidade das operações governamentais, cujas consequências estruturais, financeiras e/ou reputacionais seriam devastadoras.
Soberania digital com parceria e colaboração
Uma das estratégias que pode ser adotada para evitar tais consequências é que órgãos públicos busquem tecnologias consolidadas no mercado, ganhando tempo de resposta a incidentes e otimizando atividades internas. Entretanto, existe, por vezes, a percepção de que recorrer a soluções desenvolvidas por empresas privadas poderia comprometer, de alguma forma, a soberania digital do Estado. Eu entendo o ponto de vista, mas enxergo essa relação de outra forma.
Soberania digital não deve ser confundida com a obrigação de desenvolver internamente todas as tecnologias utilizadas pelo país. Ela representa, antes de tudo, a autonomia para estabelecer padrões de segurança e controlar processos, preservando a gestão de identidades e sistemas. O papel de uma empresa especializada não é substituir as autoridades, mas sim fornecer instrumentos para potencializar suas ações, dividir conhecimentos específicos e prestar suporte técnico para que elas cumpram suas missões com ainda mais eficiência.
Por isso, acredito que a utilização de tecnologias desenvolvidas por parceiros não reduz a autonomia, mas sim amplia a capacidade de enfrentar riscos com ferramentas amplamente testadas, continuamente aperfeiçoadas e validadas em ambientes de alta criticidade. Na prática, muitas organizações atribuídas a serviços públicos essenciais adotam essa lógica ao redor do mundo. Poucas desenvolvem, de forma isolada, todas as tecnologias necessárias para proteger seus ambientes digitais.
A evolução da cibersegurança sempre esteve baseada na colaboração, na interoperabilidade e na troca de conhecimento. A parceria firmada entre a GlobalSign e a AC-Defesa ilustra bem esse contexto. Cada organização exerce seu papel, preservando responsabilidades e competências. É um exemplo de como a cooperação qualificada amplia a potência da defesa cibernética e, ao mesmo tempo, fortalece a soberania digital brasileira.
Luiza Dias é presidente da GlobalSign Brasil. Possui 18 anos de carreira, 8 deles dedicados à GlobalSign, é a única mulher latino-americana a ocupar esta posição em uma Autoridade Certificadora de Raiz Internacional. Na GlobalSign, ocupou os cargos de Vendedora, Gerente de Vendas Latam, e em 2021, se tornou Presidente da empresa no Brasil. À frente da primeira Autoridade Certificadora de Raiz Internacional a se instalar fisicamente no país, Luiza se tornou uma importante referência feminina do mercado em toda América Latina.


